E n s a i o s . . .
Onde migalhas de intimidade são consumidas com furor .


diciembre 28, 2007

todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraíso
uma mulher sem juízo, que não se comove com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha é não poder ser imitada

Martha Medeiros

Do livro: "Persona Non Grata", LP&M Editores, 1991, RS

postado por Papillon | consuma com furor: 14:09


agosto 30, 2007



Sobre ontem

Tenho vinte minutos para contar essa história, sim, porque depois disso eu preciso fazer muita coisa até daqui três horas e vinte minutos

Eu já podia ter feito tudo, afinal acordei já faz sete horas e quarenta minutos

Mas as três primeiras horas que despertei eu usei para rabiscar algumas linhas que a tempo não fazia. À hora seguinte eu fui sentir o vento na rua, e pisar em ruas sujas de uma chuva que não chega nunca.

Acredito ter perdido as duas ultimas horas, não considero necessário especificar com o que, afinal se eu realmente acredito que perdi, para que perder meu tempo

Portanto restaram-me estes vinte minutos, que nesse exato momento transformaram-se em dez para falar que ontem, nesse exato momento faltavam cinco minutos para eu começar a fazer muita coisa até daqui três horas.

postado por Papillon | consuma com furor: 15:16


mayo 30, 2007


[....] Platão é da opinião de que nunca podemos chegar a conhecer verdadeiramente algo que se transforma. Sobre as coisas do mundo dos sentidos, coisas tangíveis, portanto, não podemos ter senão opiniões incertas. E só podemos chegar a ter um conhecimento seguro daquilo que reconhecemos com a razão . [....]


Jostein Gaarder em, O Mundo de Sofia

postado por Papillon | consuma com furor: 15:47


diciembre 18, 2005

em dias assim eu sinto falta da carne que enrosca e penetre o calor nos poros tomando conta do meu ser desde a ponta do pé até o que me escapa.

postado por Papillon | consuma com furor: 19:56


junio 21, 2005


isso tudo é porque eu não tenho o direito de incluir ninguém nos meus pontos de interrogação .....

postado por Papillon | consuma com furor: 10:48


febrero 13, 2005

misture um pouco de silêncio com um bocado de sonhos e uma pitada de ousadia, tempere com teimosia e persistência a gosto.Leve ao mundo e regule a ansiedade até transbordar.

pronto,sirva-se !!!
pra acompanhar; risadas sinceras e olhares curiosos !

postado por Papillon | consuma com furor: 12:50


enero 10, 2005

andei pensando em cortar algumas partes do corpo pra ver se elas realmente fariam alguma falta . . . mas talvez , teriam que ser membros, abrir grandes buracos . . . essas marcas que demoram cicatrizar . . . essas feridas úmidas, que pecam pelo odor, pela aparência . . . rasgos, perfurações, dilatações . . . dor que me fizesse chorar por dias a fio, e me fizesse dar valor a essas partes . . . que me fizesse sentir o quanto essa carne é frágil e importante e que não pode nunca depender de outra pra sobreviver . . .

( e o texto se repete, assim como a história )

postado por Papillon | consuma com furor: 16:33


diciembre 21, 2004


Pára !
espera, pára de correr um pouco, olha pro lado .

NÃO ! pro outro lado .... Tá, mas levanta essa cabeça , o que que tá procurando no chão ??? Olha LÀ !! lá longe, amplia essa visão , tá vendo ??? achou ???

NÃO , eu disse pra olhar pra frente, um pouquinho de vontade não vai te fazer mal ... mais uma vez , vamos tentar , levanta a cabeça e olha, firme, como se estivesse
abrindo os olhos pela primeira vez, ta vendo ??? já olhou tantas vezes na mesma direção e só o que enxergava eram as pedras da calçada ????

então, olha bem, tá vendo que tem um monte de árvores com as copas altas encobrindo a rua ??? tá vendo a sombra que elas fazem ??? aposto que nunca tinha reparado que nessas sombras sempre tem um cachorro deitado ou um velhinho descansando numa cadeira de madeira ,que as vidas que passam nessa rua trazem consigo milhões de histórias e uma carga particular indecifrável. Já reparou nas lojas dessa rua ??? quantas tem, pra que servem, já entrou em alguma delas ??? e lá , mais adiante ... tá vendo ??? a rua é longa , tem uma curva enorme , já foi até lá ??? já experimentou aquele caminho ???

eu sei, você sempre dobra na primeira a direita, já é conhecida , você já sabe onde o mendigo dorme, onde o menino pede esmola, onde atravessar no tempo do sinal . mas quem sabe hoje, só hoje você vai até o final da rua e descobre como é bonito o caminho por lá, você vai seguindo a sombra das árvores , vai caminhando entre as flores e reparando no colorido , vai respirando um ar que nunca tinha respirado,passa pelo velhinho na cadeira e desvia do cachorro dormindo, vai olhando a frente, levanta a cabeça, olha para os lados, respira devagar,troca de calçada , lembra que tudo ao seu redor ,de alguma forma tá vivo, faz parte da tua vida, é a tua vida ....

vai lá, tenta uma única vez, acorda com vontade de ver as coisas diferentes ,nem que seja uma rua , por um dia, por um minuto , mas pára com essa correria e olha pro lado, eu sei que teu tempo é curto, mas ele é bem mais curto pra sentir essa sensação ...

postado por Papillon | consuma com furor: 19:04


noviembre 27, 2004

e fez-se um nó no peito . as palavras esgasgaram e as lembranças voltaram ... ousadia recompensada pela voz mansa como da primeira vez . a vida segue o rumo e os erros brotam líquidos e amargos entregando o que a vida não desfaz ...

eu queria te encontrar, mas fiquei com medo da tua resposta

postado por Papillon | consuma com furor: 13:19


noviembre 22, 2004



Valsa da Despedida

vestiu-se de amor, era vermelho vivo,

decote a rigor que sutilmente mostrava volumosa a delicadeza de uma pele branca e macia, confessava o poder das suas costas largas e realçava na leveza da brisa a rigidez das coxas sempre escondidas.

entregou seus fios de ouro a presilhas propositadamente colocadas rente à sua testa, de forma que seus cachos ficassem leves.
daqueles que a entregavam nas horas de conquista , pintou preto , escorregou tinta e borrou a fina pálpebra que cobria sua iris cor de mel.
dos lábios usou cor pecado, desenhou sua boca carnuda e direcionou o enlace a favor dela.

assim bela , equilibrava-se em um salto de fino trato que fazia ressaltar a parte interna das suas pernas .
ainda antes da despedida, que deveria ser inesquecivel, usou do cheiro preferido para marcar sua passagem por entre aqueles que elegantes, segurando cristais espumantes, estariam a sua espera no salão principal.

era hora de bailar, insinuar, conquistar .

e foi fiel ao seu desejo,

brindou ao primeiro bom moço que dela se aproximou e na valsa dos seus sonhos aquele não era seu par perfeito.

acenou ao próximo e contracenou com delicadeza aos que desejavam conduzí-la aos passos serenos e envolventes que à esperavam.
posou de mulher fatal e num movimento sutil, sacou a piteira que portava na pequena carteira e prontamente os cavalheiros estenderam o fogo para que vagarosamente ela iniciasse movimentos que ligavam sua mão a boca decorada.

manteve-se imóvel, e no levantar dos olhos, avistou de costas o que lhe faria perder o sono para o resto dos seus dias.
admirou que sentava a mesa numa pose de superioridade, manejava braços e pernas num misto de elegância e destreja de quem recebeu mais que boas maneiras.

ainda pitando , iniciou passos em direção aquela figura humana de completa delicadeza e sedução.
os pensamentos voavam e as palavras certas já posicionadas aguardavam o momento de serem expulsas.

o maestro parou.
a música cessou.

e como numa jogatina os jogadores se miraram e não precisou de nem uma palavra para que a valsa tocasse, a piteira fosse deixada e os braços
enlassassem .

olhos nos olhos , dirigiram-se para o centro do salão, de piso lustro e iniciaram ali a mais bela e ousada demonstração de desejo e poder.O som embalava pés sincronizados que elegantemente ocupavam os espaços , deixando de fora burburinhos curiosos e invejosos.

ficaram assim insubstituíveis , olhando-se e descobrindo-se por passos e sons valseados , que permitia por vezes que os corpos encaixassem e elevassem a temperatura dos fios do cabelo até o que lhes escapava .

o maestro parou.
a música cessou.

e vagarosamente os lábios se tocaram e envolveram um ao outro como no encontro do rio com o mar.

deslumbre e pecado visíveis aos que testemunhavam.

virou-se então e sem olhar para os lados sabia que a despedida fora realizada.
ergueu a cabeça e seguiu o caminho em direção ao vazio da noite escura.

se a seguiram, foi para exigir-lhe explicações, e se as tiveram, carregarão para todo o sempre como imorais.
na soleira mirando a estrela ,

virou-se para a platéia e na sua última cartada o blefe fora inútil
bateu no pano verde

a beleza,

os cortejos,

a valsa

e a Duquesa.

postado por Papillon | consuma com furor: 14:49


noviembre 8, 2004


lembra que na dúvida eu sempre arrisco ?? não vai ser diferente agora, se tinha que errar já errei , agora o que resta são as respostas que no máximo variam com o dia, podem vir fantasiadas com fitas coloridas ou secas como as folhas do verão , podem render risadas soltas ou vontade de enfiar a cabeça no primeiro buraco que aparecer.

enfim, se até na frente do padre a resposta ainda pode ser negativa , o que eu tenho a perder ????

postado por Papillon | consuma com furor: 15:01

' No reino dos fins tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se por em vez dela qualquer outra como equivalente; mas
quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade.'

Emanuel Kant

postado por Papillon | consuma com furor: 14:39


octubre 26, 2004


thousandimages

Tem vezes que o ter não se consuma no ato literário , de posse , de modo carnal ou propriedade. Tem vezes que o ter apresenta-se na simplicidade de longas conversas envolvidas em uma intimidade sincera, onde transpiram sentimentos mor

postado por Papillon | consuma com furor: 15:43


septiembre 23, 2004

Maldito seja aquele que julga meus prazeres. Mortais e imorais pertencem a mim , arrombam os meus sonhos. Transgridem as tuas regras. Saciam os meus desejos. Pecam aos teus olhos.

Consumo devagar, na plural da diversidade. Não tenho linhas, pinto roxo aquilo que dizem verde.

Não há subtração do mundo, é tudo saboreado na vagareza de uma estação. Desejo ao avesso, esqueço o preferível e ingiro o inacessível buscando o pulsar do fluxo da vida.

É tara sobre o que está sendo velado .

postado por Papillon | consuma com furor: 18:58


septiembre 12, 2004

é tempo de pausa
de vida corrida sem tempo para sentir

de falta de tempo com tempo de sobra
é tempo de vida mais ou menos

é tempo sem vida
de vida sem tempo

é tempo de bipolaridade

postado por Papillon | consuma com furor: 14:53













porque
quem mais
por aqui
mês a mês